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Revista EAC 3ª ed. - Deputado Paulo Ramos afirma que governo Federal decepcionou caminhoneiros




Integrante da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, o deputado federal Paulo Ramos (PDT/RJ), participou do 2º Encontro Nacional de Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, que aconteceu no último dia 16 de outubro, no Rio de Janeiro, para “conhecer mais de perto o sacrifício a que os caminhoneiros são submetidos”. Segundo ele, a categoria, que durante o evento decretou estado de greve, está desiludida com o Governo Federal, pois houve “quebra na confiança”. Além disso, garante, “a única maneira que os caminhoneiros têm de manifestar seu sofrimento, fazer suas reivindicações é paralisando sua atividade”. Em entrevista para EU AMO CAMINHONEIRO, o parlamentar falou dos desafios da profissão, do piso mínimo do frete, dos constantes reajustes do óleo diesel, do projeto que prevê valor fixo do ICMS sobre combustíveis e da importância da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas.


Qual o balanço que o senhor faz do 2º Encontro Nacional de Caminhoneiros Autônomos e Celetistas?


Fui conhecer mais de perto, não digo as reivindicações, o sacrifício a que os caminhoneiros são submetidos e as dificuldades para a prestação de um serviço de tão grande relevância para a economia nacional: o transporte de cargas. Os autônomos sem vínculo patronal e os celetistas são vítimas da precarização das relações de trabalho. Nas narrativas feitas, estão o local para descanso, as condições e a segurança nas estradas, na hora do repouso; acorda roubaram os pneus. Ficam distantes rotineiramente das famílias. Saem para transportar uma carga sem saber quando vão voltar e, ao mesmo tempo, o retorno com ou sem carga. Quanto é o frete para o retorno? Tem que ter uma tabela, um preço mínimo do frete que compense o trabalho.

O preço do diesel cria uma aflição maior ainda. Como é que vai pagar esse preço exorbitante? Então, eles marcaram uma data para a paralisação, 1º de novembro. A categoria demonstra sua importância com a paralisação, com a ocupação das estradas, e ninguém pode dizer que é baderna. A única maneira que os caminhoneiros têm de manifestar seu sofrimento, fazer suas reivindicações é paralisando sua atividade.

Os caminhoneiros têm uma presença política, uma força política compatível com a importância da tarefa que eles cumprem. Fiquei impressionado com a coesão, o nível e a seriedade do debate, o compromisso com a sociedade, as preocupações com a repercussão das paralisações, mas ao mesmo tempo não encontrando uma alternativa.


Durante o encontro, a categoria anunciou o estado de greve. A paralisação prevista para o dia 1º de novembro é um racha com o governo Bolsonaro?


Uma coisa que constatei foi a desilusão dos caminhoneiros com o governo Federal. Uma categoria profissional que acreditou que, com o governo Bolsonaro, conquistaria direitos, não viveria o sofrimento aprofundado. Uma coisa é sofrer, a outra é ter a expectativa de que vai melhorar, e piora. Houve quebra na confiança, uma traição dos compromissos assumidos.


A aprovação do projeto que prevê valor fixo do ICMS sobre combustíveis atenderia as propostas da categoria?


A questão do preço dos derivados do petróleo tem uma causa maior. A questão do ICMS é uma espécie de perfume. A questão é que o Brasil tem petróleo, tem refinarias da Petrobras com capacidade ociosa. A Shell, por exemplo, exporta óleo bruto sem pagar impostos, simultaneamente importa derivados do petróleo, gerando emprego nos Estados Unidos, pagando impostos nos Estados Unidos, pagando o frete, encarecendo o produto. A CPI que requeri, já há algum tempo, precisando de subscrições, é exatamente para demonstrar a verdade que os grandes meios de comunicação não demonstram. A grande questão é a base do cálculo. A Petrobras tem a possibilidade de refinar o petróleo, oferecendo os derivados por um preço correspondente à metade. A Petrobras é uma empresa que contempla um projeto nacional ou preferencialmente aos controladores da empresa? O governo só tem maioria das ações no direito a voto. No conjunto das ações, é minoria. E parte expressiva das ações da Petrobras estão com multinacionais, com fundos de investimentos estrangeiros e eles querem ser remunerados. É o custo Brasil, o custo para o povo brasileiro. Quem sofre com isso são os trabalhadores, as famílias que não tem dinheiro para comprar gás, estão voltando a cozinhar com lenha. O testemunho dos caminhoneiros representa a maior denúncia contra esse governo.

A questão é ter autossuficiência na produção de derivados. O único caminho possível para ter segurança energética no Brasil em relação a derivados de petróleo, em relação a autossuficiência, é a Petrobras.


Qual a importância da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, a qual o senhor íntegra?


Frente parlamentar é um instrumento existente no Congresso Nacional. Tem frente parlamentar da Câmara, do Senado e Mista. É uma forma de manter o tema em debate na Câmara. Porém, lamentavelmente, uma frente parlamentar é tão heterogênea que, por vezes, ilude aquela categoria que pensa que está sendo representada. Se a frente, com o número que tem de deputados, efetivamente representasse aquilo que reivindicam os caminhoneiros, certamente as reivindicações estariam numa fase muito mais adiantada. Então, não se deixem enganar. Às vezes, integra a frente parlamentar quem é da base do Governo, apoia as políticas do Governo e procura dizer que está afastado do governo num item. Eu sei que os caminhoneiros, quando reúnem autônomos e celetistas, estão dizendo que não se conformam com as reformas trabalhista e previdenciária feitas pelo governo. Alguém que integra a frente parlamentar dos caminhoneiros está defendendo o que, se integra a base de sustentação do governo que traiu os caminhoneiros? Tem que ter essa compreensão.

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