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  • Studio 3R

Revista EAC 3ª ed. - Dupla sertaneja Tonny & Kleber fazem canção em homenagem aos caminhoneiros


Tonny & Kleber / Foto: Divulgação

Com 20 anos de estrada, a dupla Tonny & Kleber escreveu uma linda história de sucesso no meio artístico. Compositores brilhantes, são amigos de infância da cidade de São José do Rio Preto, onde nasceram e continuam morando, e se destacando das duplas sertanejas de todo país por suas músicas que sempre levam mensagens de amor, fraternidade, respeito e tolerância. Certamente, esta tenha sido a razão, por exemplo, da música “Da Janela do Meu Caminhão” ter se tornado o hino dos caminhoneiros.


Apadrinhados por Chitãozinho e Xororó, Tonny lembra que a composição foi feita em 2018, numa parceria da dupla com Xororó, durante a greve dos caminhoneiros, que parou o país, revelando a força e importância da categoria para toda a sociedade. E foi esse o questionamento que fez, na ocasião, ao colega Kleber: “Olha o que aconteceu com o país? Parou de bombar, o coração do país parou! O caminhoneiro é o sangue na veia”.


O fim da paralisação trouxe o reconhecimento do trabalho desses profissionais, que receberam diversas homenagens:


“É fundamental valorizar, lançar luz a esta questão, respeitar, dar condições para o trabalhador nas estradas para que ele tenha segurança. Eu passei parte da letra para o Chorão, meu amigo e líder do movimento grevista. No entanto, na mesma hora ele disse que está faltando alguma coisa, afirmando que todo caminhoneiro vai à luta, mas sonha em voltar, ele já sai pensando em voltar. Vai à luta para dar o melhor à família. Foi aí que eu pensei: não é só o caminhoneiro, todos os trabalhadores quando saem de casa, já pensando na volta, quero voltar e encontrar a minha família bem”, recorda.



Foi, então, que começou a escrever a história de luta de todos os trabalhadores, personificada na figura do caminhoneiro, onde o motor do caminhão é o coração batendo, o combustível são seus sonhos e objetivos, as janelas são seus olhos testemunhando, cada momento vivido nessa longa estrada chamada vida. Assim, faz analogias e reflexões profundas sobre a perspectiva da vida através do dia a dia do caminhoneiro.


“Vou colocar como personagem principal o caminhoneiro. Mas, vamos tentar ampliar, imaginar que o caminhão somos nós, trabalhadores, o motor, o nosso coração pulsando, e a estrada o dia a dia. A música tem trechos que fala ser a janela do caminhão, os nossos olhos, a nossa alma. Sou eu olhando a vida. Num outro trecho, escreve: ‘Passo por dias bons; Passo dias ruins; Companheiros de estrada; Solidão sem fim”, que acompanha o caminhoneiro o tempo todo, e que não posso abandonar a luta. A música é em cima disso. No final, a letra diz: ‘Essa vida é passageira; Tudo um dia vira pó; Põe mais lenha na fogueira; Pra tudo ficar melhor’, porque a vida não pode ser morna, ou você é ou não é. Aí mostrei para o Chorão, que levou para outros amigos, que se emocionaram e até choraram”, conta Tonny.


Até o sucesso, a dupla percorreu um caminho de muita luta


Tonny e Kleber formam hoje uma das mais completas e diferenciadas duplas da nova geração da música sertaneja, mas para chegarem ao sucesso, percorreram um caminho de muita luta. Amigos de infância, sempre cantaram juntos em bares, bailes e pubs até gravarem seu primeiro CD independente em 1998, com 10 faixas, todas de autoria da dupla. Até 2000, lançaram “Mais um encontro” e “Assim vive um cowboy”, CDs de alta produção, que abriu os seus caminhos e admiração de muitos fãs.



Mas a grande virada foi o encontro com Chitãozinho e Xororó, que apadrinharam a dupla e gravaram várias de suas canções e os convidou para participar de uma faixa no CD deles: “Minha vida minha música”, consolidando a carreira de Tonny e Kleber no universo sertanejo. Hoje sua discografia conta com sete CDs e uma indicação ao prêmio Grammy Latino.


“A gente vem batalhando, gravando os nossos discos. O último teve a participação Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, Renato Teixeira, e temos algumas canções que outros artistas gravaram”, conta, revelando que, antes mesmo da pandemia de Covid-19, montaram um grupo de WhatsApp, onde eles têm uma parceria de composição com o Xororó e compuseram a música “A nossa voz”, que conta com a participação de 25 artistas consagrados.


“Era um sonho que a gente tinha de juntar, unificar o país, porque nós percebemos que precisávamos nos manifestar como artistas na tentativa de unificar o nosso povo, que está muito dividido, com muito ódio e o ódio nunca foi amigo do bem. Então, buscamos essa unificação através da música. O Xororó abraçou esse projeto e convidou 25 amigos da esquerda, do centro e da extrema direita, convidou todo mundo, Luan Santana, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jota Quest, Paula Fernandes, Maria Gadú, Seu Jorge, Paulo Victor, Sandy e Júnior”.


A música, diz Tonny, fala do sonho de todos, do desejo de um país onde o que predomina é o amor ao próximo, uma mensagem para os filhos, os netos: “Que lição nós vamos deixar? A música fala disso. O problema é que a política atrapalha tudo, a política de impor o seu ponto de vista. Mas a verdade não é absoluta e nem única, o que muda é o ponto de vista de cada um sobre esta verdade, é a forma que cada um olha para a verdade, e ninguém tem controle sobre isso. A música fala disso, é preciso sempre se colocar no lugar do outro, mas é uma decisão individual, um exercício diário”, filosofa.


Da Janela do Meu Caminhão


<https://www.youtube.com › watch>


É mais uma jornada

Mais um dia de luta

Essa é a verdade clara

E absoluta

Desse pai de família

Humilde brasileiro

Que sempre teve orgulho

De ser caminhoneiro

Vivo por essa estrada

Penso em tudo o que eu já fiz

Carrego toneladas

Amor e cicatriz

Já rodei por esse mundo

Cada palmo desse chão

Vejo tudo acontecer

Da janela do meu caminhão

Passo por dias bons

Passo dias ruins

Companheiros de estrada

Solidão sem fim

A vida tem essas curvas

Se fosse uma reta só

Talvez perderia a graça

Desfazer os nós

Acelero pro futuro

Eu não posso aqui parar

O suor do meu trabalho

Faz o meu país andar

Já rodei por esse mundo

Cada palmo desse chão

Vejo tudo acontecer

Da janela do meu caminhão

E quando chega a noite

Algum perigo

Sei que tenho Deus comigo

Sempre a me iluminar

E Bate uma saudade lá de casa

O pensamento cria asas

Ali é meu lugar

Essa vida é passageira

Tudo um dia vira pó

Põe mais lenha na fogueira

Pra tudo ficar melhor

Já rodei por esse mundo

Cada palmo desse chão

Vejo tudo acontecer

Da janela do meu caminhão


É um acalento para o momento difícil que os caminhoneiros atravessam. Eu e Cléber somos amigos de infância com 20 anos de carreira, dupla, os cantores de bailes e gravamos o nosso primeiro CD, em 98 e 2001 conhecemos Chitãozinho e Xororó nos apadrinharam e a gente vem batalhando gravando os nossos discos, último DVD nosso teve a participação Chitãozinho e Xororó, Bruno e Marrone, Renato Teixeira, e a gente vem compondo algumas canções que outros artistas gravaram.


Nós temos uma parceria de composição com o Xororó e Chitãozinho também, mas hoje a gente compõe mais com Xororó pelo WhatsApp. Antes mesmo da pandemia nós já tínhamos este grupo de WhatsApp e nós compusemos uma música que se chama assim “A nossa voz”, em 25 artistas era um sonho que a gente tinha de juntar unificar o país, porque nós percebemos que precisávamos nos manifestar como artistas tentativa de unificação do nosso povo porque está muito dividido, com muito ódio e o ódio nunca foi amigo do bem. Então, buscar essa unificação através da música. O Xororó abraçou esse projeto e convidou 25 amigos desde o pessoal da esquerda, do centro e da extrema direita, convidou todo mundo, Luan Santana, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jota Quest, Paula Fernandes, Maria Gadú, Seu Jorge, Paulo Victor, Sandy e Júnior.


Eu e Cléber, a gente canta logo depois do Daniel. Inclusive nós somos os únicos que não temos evidência nacional no meio daquela constelação de artistas, de músicos. A música fala do sonho de todos, que tenha segurança, do sonho de ter um país que tenha amor, que tenha união, e nós estamos deixando isso para os nossos filhos, para os nossos netos. Que lição nós vamos deixar? A música fala disso, o problema é que a política atrapalha tudo, política de impor o seu ponto o seu vista, a verdade absoluta, a verdade é única, o que muda é o ponto de vista de cada um sobre esta verdade, é a forma que cada um olha para a verdade, é verdade de cada um e ninguém tem controle sobre isso e a música fala disso, é preciso sempre se colocar no lugar do outro, mas é uma decisão individual, de se colocar no lugar do outro, é um exercício diário.


E a música “janela do caminhão”, quando estávamos fazendo a nossa voz, em 2018, e vi a parada dos caminhoneiros. A gente fez essa música em 2018, eu, Cléber e Xororó, nós compomos essa música e não havia acontecido ainda a eleição e falei para o Cléber: “olha o que aconteceu com o país?” parou de bombar, o coração do país parou, o caminhoneiro é o sangue na veia, depois voltou tudo ao normal, e haviam várias homenagens aos caminhoneiros destacando sua importância para o país.


É fundamental valorizar, lançar luz a esta questão, respeitar, dar condições para o trabalhador nas estradas para ele ter segurança nas rodovias. Eu passei metade da letra para o Chorão e ele disse está faltando alguma coisa, fundamental do caminhoneiro que é ele disse e ele disse: todo caminhoneiro vai a luta, mas ele sonha em voltar, ele já vai pensando em voltar, ele vai a luta para dar o melhor a família aí eu pensei, não é só o caminhoneiro, não todos os trabalhadores que sai de casa já pensando na volta, quero voltar e encontrar a minha família bem.


Então, vou tentar criar, claro que vou colocar como personagem principal o caminhoneiro. Nós vamos tentar ampliar, vamos imaginar que o caminhão somos nós, trabalhadores, motor do caminhão é o nosso coração pulsando, a janela do caminhão são os nossos olhos, a janela da alma, a estrada é o dia a dia, a música tem trechos que fala os olhos são a janela da alma, sou eu olhando a vida, e diz, passo por dias bons, passo por dias ruins, tem os meus companheiros e a solidão que acompanha o tempo todo, eu não posso abandonar a luta, a música é em cima disso. No final a letra diz “ponha fogo na fogueira porque a vida é passageira, ela não pode ser morna, ou você É Ou Não É”.


Aí eu mostrei para o Chorão e ele mostrou para outros amigos que seu mo emocionaram e até choraram. E a live da Abrava não houve porque o Sérgio Reis deu aquela declaração e o Chorão achou melhor aguardar para lançar a música depois a música seria lançada nesta live que é um hino para o caminhoneiro.


Tem uma parte que fala assim a vida é cheia de curvas, isso que ela é legal, se a vida fosse uma reta só não teria graça, seria sem graça se não tivéssemos problemas para resolver, desafios, nos para ser desatados, não as Curvas da Vida e aí vai se fazendo essa analogia, da estrada do caminhão, da vida dos brasileiros. Eu sou um brasileiro apaixonado, eu fico muito triste em ver essa divisão desnecessária. Essa ideia de que depois de mim pode vir um dilúvio é um absurdo, o primeiro é o próximo, isso é o mandamento de Deus. A música é o nosso instrumento para levar essas mensagens, e é o mercado mais difícil para a gente, o que o comércio quer o comércio quer muita porcaria, acaba ficando mais difícil para a gente, mas a gente tenta.

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