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Revista EAC - Roubo de Cargas tem queda no Estado do Rio de Janeiro mas ainda inspira atenção



Estado do Rio registra queda de 28% no roubo de cargas


Os registros de roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro tiveram queda de 28% em relação ao acumulado do ano e de 16% em relação a fevereiro de 2020. De acordo com levantamento do Instituto de Segurança Pública – ISP, ocorreram 714 casos no primeiro bimestre de 2021 e 351 em fevereiro. Os crimes contra o patrimônio também apresentaram resultados significativos nos dois primeiros meses do ano. Os roubos de rua (roubo a transeunte, roubo em coletivo e roubo de aparelho celular), de carga e de veículo reduziram, respectivamente, 32% e 27% em 2021.


Vale salientar o estudo divulgado pelo ISP, em outubro, mostrando que a queda nos roubos de carga não tem correlação estatística com o isolamento social por conta do coronavírus. Para elaborar o relatório, os analistas do Instituto cruzaram dados dos usuários do Google com os registros de ocorrência da Secretaria de Estado de Polícia Civil.


Outro destaque da pesquisa, apresentada na última semana de março, é a queda no indicador letalidade violenta - soma de homicídio doloso, roubo seguido de morte, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção de agente do Estado. Em fevereiro, o indicador registrou o menor valor para o mês desde 1991: 409 em 2021 e 502 em 2020. As mortes por intervenção de agente do Estado diminuíram 10% em fevereiro.


Em dois meses, as polícias Civil e Militar retiraram de circulação cerca de 22 armas de fogo por dia no estado, contabilizando um total de 1.272 armas. Destas, 93 eram fuzis.



ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO DE ESTADO DE POLÍCIA MILITAR, CORONEL ROGÉRIO FIGUEIREDO DE LACERDA


O roubo de cargas sempre assombrou o setor de TRC. De acordo com a última pesquisa realizada pela NTC & Logística - Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, o Brasil registrou 18.382 ocorrências de roubos de cargas, gerando um prejuízo de R$1,4 bilhão. A região Sudeste foi a mais afetada, arcando com 68,16% das ocorrências. Em seguida, aparecem as regiões Nordeste, com 11,29%; Sul, com 9,52%; Centro-Oeste, 7,61%; e, por último, a região Norte, com 3,42%. Entre os produtos mais visados, estão os gêneros alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, combustíveis, bebidas, artigos farmacêuticos, autopeças, defensivos agrícolas e têxteis e confecções.


Mas a mudança no comando geral da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro acendeu uma luz no fim do túnel. Empossado em janeiro de 2019, o coronel Rogério Figueiredo de Lacerda assumiu o compromisso de enfrentamento a esta modalidade criminosa que afeta fortemente a economia do estado do Rio, devido aos seus efeitos, que “alimentam uma cadeia criminosa com consequências extremamente danosas para toda a sociedade''. O trabalho, frisa, realizado de forma integrada, reduziu o roubo de cargas, no primeiro bimestre deste ano, em 27% ao ser comparado com mesmo período de 2020.


Em entrevista exclusiva para EU AMO CAMINHONEIRO, o coronel Figueiredo

faz um balanço sobre sua atuação à frente da secretaria; analisa os dados do Instituto de Segurança Pública – ISP, autarquia responsável por produzir pesquisas e análises para subsidiar a implementação de políticas públicas de segurança, e o trabalho na rodovia Niterói-Manilha (BR-101), considera um dos pontos criticados em roubo de cargas.



De acordo com os dados da última pesquisa realizada pelo ISP-RJ, os registros de roubo de carga no estado do Rio de Janeiro tiveram queda de 37% em janeiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2020. Já em relação a dezembro de 2020, a redução foi de 21%. Se levarmos em consideração o último trimestre (novembro e dezembro de 2020 e janeiro de 2021), houve declínio de 32% no paralelo com o mesmo período dos anos anteriores. Na sua avaliação, a que se deve esta redução?


A redução do roubo de cargas foi uma das metas prioritárias da atual gestão da Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro. A inclusão dessa modalidade criminal no rol dos indicadores estratégicos do Instituto de Segurança Pública - ISP não aconteceu por acaso. Assim como os roubos de veículos, os roubos de carga alimentam uma cadeia criminosa com consequências extremamente danosas para toda a sociedade. Dessa forma, as reduções dos índices de roubos de carga, observadas mês a mês, desde janeiro de 2019, quando assumimos, representam uma vitória muito grande. Uma vitória não só da Polícia Militar, mas de todas as forças de segurança do estado e outras esferas – Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria de Administração Penitenciária, entre outras. Estamos trabalhando de forma cada vez mais integrada. No primeiro bimestre deste ano de 2021, houve uma redução de 27% no roubo de carga em comparação com o mesmo período do ano passado. Vale destacar que o índice de roubo de carga de janeiro de 2021 foi o mais baixo verificado para o mês desde 2014.



Segundo o último levantamento da Confederação Nacional do Transporte – CNT sobre o Perfil dos Caminhoneiros 2019, os assaltos e roubos são a maior dificuldade encontrada por 64,6% dos caminhoneiros entrevistados. A pesquisa, com informações gerais sobre o profissional e a sua atividade, traz ainda que cerca de 7% deles relataram que já tiveram o veículo roubado pelo menos uma vez nos anos de 2017 e 2018. Além disso, 49,5% desses profissionais recusaram a viagem por conta do risco de roubo/assalto durante o trajeto. Para o senhor, essa queda no roubo de cargas garante mais segurança para os caminhoneiros?


Não há dúvida que a redução da incidência do roubo de carga, observada nos últimos anos, vai provocar uma melhoria na sensação de segurança dos caminhoneiros e num ambiente melhor para a atividade econômica do transporte de carga. Estou certo de que uma nova pesquisa da CNT constata essa minha previsão. Além do aumento da sensação de segurança de caminhoneiros, de turistas e de toda a sociedade, o combate sistemático ao roubo de carga é estratégico para o desenvolvimento econômico e social do nosso estado. A Polícia Militar vem ampliando o policiamento preventivo e ostensivo nas rodovias. E a Polícia Civil cumpre, cada vez com mais desenvoltura, a sua missão, investigando e desarticulando quadrilhas especializadas.

Vale destacar ainda os esforços do governo do estado em investir recursos nas rodovias, como, por exemplo, os R$62 milhões que serão aplicados em melhorias para área de segurança no Arco Metropolitano, fruto de um entendimento do governador em exercício Cláudio Castro com o Ministério da Infraestrutura.



A rodovia Niterói-Manilha (BR-101), de responsabilidade da Polícia Rodoviária Federal (PRF), continua sendo uma área crítica. O que o governo está fazendo para reverter esse quadro, já que o trecho mais crítico fica entre São Gonçalo e Itaboraí, nas proximidades da favela do Salgueiro?


O trabalho da Polícia Militar em parceria com a Polícia Rodoviária Federal nesse trecho da BR-101 Norte, entre Niterói e Itaboraí, atravessando todo o município de São Gonçalo, pode ser definido como um dos ícones da atual política de segurança. Essa parceria, além de proporcionar uma redução expressiva dos roubos não só de cargas, mas de veículos e de outras modalidades naquela região específica, serviu como modelo para expansão dessa iniciativa de integração. A parceria entre as duas forças de segurança foi replicada com sucesso nas demais rodovias federais que cortam o nosso estado, como a BR-101 Sul (Rio-Santos), a BR-040 (Rio-Belo Horizonte) e a Via Dutra (Rio-São Paulo).

Mas voltando à Niterói-Manilha. Montamos um modelo de policiamento, integrando o trabalho das unidades operacionais da corporação subordinadas ao 4º CPA (Comando de Policiamento de Área), atuando em parceria com a PRF e com o apoio das nossas unidades especializadas e, em determinadas situações, com a mobilização das forças de operações especiais. Vale citar como exemplo a ação dos policiais militares do RECOM (Rondas Especiais e Controle de Multidões), que marcam presença diária fazendo patrulhamento nos horários mais críticos naquela rodovia. Todos esses esforços trazem resultados positivos: de janeiro à primeira quinzena de março deste ano, o número de roubos de carga no eixo da Niterói-Manilha sofreu uma queda superior a 60% em comparação com mesmo período de 2020, mesmo considerando que esses dados precisam ser consolidados pelo ISP. Vale ressaltar que essa incidência criminal já sofrerá queda substancial em 2020 em relação aos anos anteriores.



Em relação às mortes provocadas por intervenção de agentes do Estado, o número saltou de 79, em dezembro, para 149 em janeiro. Foi o maior índice registrado desde abril do ano passado, antes da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal – STF, de restringir as operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro enquanto perdurar a pandemia de Covid-19. Qual a sua visão?


O indicador de mortes em decorrência de intervenção de agente do Estado está em declínio. Tecnicamente, temos que observar o movimento da curva de incidência ao longo de um período. As comparações devem respeitar o princípio da sazonalidade. O mês de um ano com o mesmo mês de outro ano, por exemplo. O dado mais recente do ISP revela que em fevereiro deste ano houve uma queda dessas mortes superior a 10% em relação ao mesmo mês de 2020. Não vejo relação entre essa redução com a decisão do SFF. Vale destacar que as operações são planejadas dentro dos parâmetros legais e sempre seguindo protocolos técnicos para preservar vidas, tanto de policiais quanto de pessoas inocentes. Focamos no objetivo de prender criminosos e apreender armas e entorpecentes. O confronto é uma opção dos criminosos. De janeiro a 15 de março deste ano, somente a Polícia Militar apreendeu quase 1.300 armas de fogo no estado, entre as quais 91 fuzis, além de 170 granadas e 49 explosivos artesanais.


O senhor poderia comentar sobre os demais dados da pesquisa do ISP-RJ?


Os números do Instituto de Segurança Pública funcionam como a nossa bússola. Traçamos nossa estratégia e nossas ações com base no movimento da mancha criminal. De janeiro de 2019 até o primeiro bimestre deste ano, temos observado com satisfação o declínio consistente dos indicadores criminais mais impactantes, como os crimes contra a vida e os roubos de carga, de veículos e os chamados roubos de rua (que englobam roubo a transeunte, roubo em coletivo e roubo de aparelho celular). Os homicídios dolosos, por exemplo, têm registrado reduções históricas. Esses avanços, por outro lado, nos impõem novos desafios, porque precisamos continuar trabalhando para reduzir ainda mais a incidência criminal que já está em queda contínua.



Desde sua posse, em janeiro de 2019, os índices de criminalidade vêm baixando. O senhor poderia fazer um balanço sobre sua atuação à frente da secretaria?


Antes de qualquer análise de desempenho, vale registrar uma questão que considero fundamental: os benefícios para a área de segurança com a recriação das secretarias de Estado de Polícia Militar e de Polícia Civil. Trabalhando com independência de gestão orçamentária e formulação de programas de policiamento específicos concebidos por quem está na linha de frente, tanto na área operacional como administrativa, as duas principais forças policiais do estado deram um salto qualitativo sem precedentes na história recente do estado. Ao contrário do que muitos pensavam, as duas corporações estão atuando de forma cada vez mais integrada, cada uma seguindo a sua missão constitucional.

No caso da Polícia Militar, estamos recompondo o nosso efetivo e valorizando a nossa tropa. Soubemos aproveitar o legado da intervenção federal de 2018, que recuperou boa parte dos recursos materiais da Corporação, com aquisição de novas viaturas, armamentos, munição, entre outros itens. Além disso, nossos esforços vêm se concentrando em algumas estratégias básicas. A primeira, e mais urgente, foi montar um planejamento, empregando tecnologia e informações da área de inteligência, para ampliar e consolidar o policiamento ostensivo e preventivo em regiões mais críticas. Criamos uma série de programas de policiamento para patrulhar com maior eficiência as vias expressas, corredores estruturais da região metropolitana e rodovias em todo o estado. Entre esses programas vale citar o Percurso Seguro e o Viagem Segura. Paralelamente a isso, temos expandido parcerias com prefeituras, com concessionárias de serviço público e com forças federais de segurança. A criação e o aprimoramento de programas de prevenção fazem parte de outra linha estratégica fundamental, como, por exemplo, a Patrulha Maria da Penha – Guardiões da Vida, voltado para prevenir crimes contra a mulher. Hoje, 30% das demandas que chegam ao Serviço 190 estão relacionadas com violência doméstica. Aliás, a Patrulha Maria da Penha faz parte do escopo estabelecido pelo Plano Estratégico da SEPM que tem como meta transformar nossa Polícia Militar em referência nacional em polícia de proximidade, buscando uma integração maior dos policiais com a sociedade.


Fonte: Revista Eu Amo Caminhoneiro

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